Assim que as portas transparentes abrem, às dez da manhã, a loja da Apple em São Francisco é invadida. Entram pessoas de todas as idades que quase correm para um dos muitos iPads que estão disponíveis para teste em cima de mesas brancas e brilhantes, impecavelmente limpas. "É assim todo o dia", explica Adrian, um dos empregados da loja, encolhendo os ombros.
"Continua esgotado e já tem uma enorme lista de espera para o próximo carregamento", acrescenta. Não há sítio onde se possam comprar iPads nesta zona e a única coisa que os interessados podem fazer é encomendar online ou pôr o nome na lista de espera. "Nunca pensei que isto continuasse esgotado nesta altura", confessa Adrian, ao mesmo tempo que responde a algumas questões de um cliente que quer levar um iPad para casa a todo o custo. Ao lado, um geek descarrega aplicações da App Store, enquanto uma adolescente actualiza o Facebook no gadget. Usa a versão Wi-Fi, que nos Estados Unidos é mais rápida que a 3G. E nem sequer tem a intenção de comprar um iPad. Simplesmente virá "todos os dias" para brincar com ele na Apple Store, que encoraja os clientes a porem as mãos na massa. O que não deixa de ser curioso: a Apple incentiva as pessoas a interessarem-se por algo que depois não podem comprar.
Mas a estratégia tem funcionado bem para o iPad, mantendo uma aura de exclusividade que o torna mais apetecível junto dos consumidores. A dificuldade que a Apple tem tido em responder à procura do aparelho - que alguns críticos dizem ser propositada para dar a entender que o iPad é um sucesso - prova que os cépticos estavam errados quando disseram que o tablet seria um fiasco. Só nos primeiros 28 dias, a Apple vendeu mais de um milhão de unidades nos Estados Unidos. Agora, a 11 dias do lançamento em mais nove países da Europa e da Ásia, o tablet está finalmente a ser entendido pela concorrência como aquilo que o CEO Steve Jobs disse que seria: um "game changer" no mercado dos aparelhos portáteis.
Já se sabia que a Google estava a trabalhar num tablet semelhante ao iPad há algum tempo. No entanto, na semana passada, a operadora móvel Verizon - que tem tentado, sem sucesso, um acordo com a Apple para comercializar o iPhone - confirmou que está a trabalhar com a marca dos motores de busca num iPad killer. "Os outros fabricantes não vão simplesmente ficar a olhar e abandonar o mercado à Apple", disse o analista Michael Gartenberg, do Altimeter Group, ao Mercury News. "Vamos ver muito mais competição neste espaço."
O CEO da Verizon Wireless, Lowell McAdam, garantiu ao "Wall Street Journal" que os tablets serão "a próxima grande vaga de oportunidades" da empresa. A Google não quis fazer comentários sobre o projecto, mas afirmou que o sistema móvel que desenvolveu para telemóveis, Android, é aberto e pode ser usado por qualquer empresa em qualquer formato. Isto apesar de também já ter sido confirmado que a Google está a trabalhar num sistema operativo para tablets, o Chrome OS.
"O iPad vai ser realmente disruptivo, mesmo que isso não aconteça de forma imediata", disse ao i Sean Koehl, evangelista dos laboratórios de investigação da Intel, frisando que o impacto pode ir além do que estamos a ver agora. No próximo dia 28, quando o iPad for para as lojas internacionais, Steve Jobs poderá enfrentar a sua prova dos nove.
Fonte: ionline.pt
19 de mai. de 2010
Grande procura surpreende até empregados da Apple
Posted by Eduardo Natario on 16:47 in mercado | Comments : 0
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